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Lugar de mulher é na ciência

Em 11 de fevereiro, celebra-se o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência. Entretanto, essa data demanda mais reflexões do que celebrações. A representatividade do gênero feminino dentro da pesquisa científica ainda tem muito para avançar. Atualmente, as pesquisadoras formam um montante 30% menor entre os cientistas de todo mundo.

Meninas e mulheres precisam ocupar espaços historicamente negados ao gênero feminino. Entre eles, a ciência. Consciente a respeito dessa necessidade, o professor de física Rudnei Machado decidiu fazer sua parte para a construção de um mundo mais igualitário.

Tudo começou em 2020, quando Rudnei e o Colégio Adventista de Joinville (CAJ) levantaram um debate interdisciplinar sobre a participação das mulheres na ciência. Pesquisadoras de institutos como Sirius e Butantan participaram do evento e compartilharam suas experiências, confidenciando dificuldades e progressos. Entretanto, o engajamento da escola com o tema não parou por aí.

A Sociedade Brasileira de Física selecionou Rudnei para estudar na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), onde há o maior acelerador de partículas do mundo. Em 2021, o professor convidou suas alunas para conhecerem o instituto do qual ele faz parte. O CERN se destaca por sua relevância no que tange o desenvolvimento e a consolidação da ciência. Para as meninas, ter contato com uma instituição de tamanha envergadura a nível internacional, significa muito.

Vale lembrar que apenas 30% das estudantes selecionam campos relacionados às áreas de STEM (sigla em inglês para Ciência, Engenharia e Matemática) no ensino superior. Ao aproximar suas alunas ainda mais da física, Rudnei visa lhes mostrar que a ciência também é lugar de mulher, consagrando-se portando como uma possibilidade de carreira que foge dos estereótipos costumeiramente direcionados ao gênero. “Elas podem ser o que quiserem”, afirma.

Professor Rudnei Machado cria oportunidades de acesso ao universo da ciência para alunas do ensino médio

 

MasterClass Feminino 

A aproximação entre as estudantes e o CERN ocorreu por meio de uma iniciativa do Centro de Pesquisa e Análise de São Paulo (SPRACE). O instituto foi o responsável por organizar o Masterclass Feminino, um evento internacional que objetiva inspirar meninas a seguirem carreira nas áreas da STEM. Dessa forma, espera-se minorar a desigualdade de gênero no campo em questão.

Rudnei lembra que a equidade de gêneros, seja na ciência ou em qualquer outra área, está entre os alvos da Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Portanto, a iniciativa do SPRACE e do CAJ dialoga com a ideia de um mundo porvir, mais justo e consequentemente melhor.

Com esse propósito, o MasterClass engaja 10.000 alunas do ensino médio em 40 países e as aproxima de universidades e centro de pesquisas ao redor do mundo. Já engajadas, elas aprofundam seus conhecimentos e refletem sobre um dos maiores mistérios da Física: quais são as partículas que formam o universo?

Essa e outras perguntas circulam entre debates e palestras oferecidos pelo MasterClass Feminino, que começou no dia 8 de fevereiro e segue até o dia 12. As 11 alunas do Colégio Adventista de Joinville que estão participando do evento aprenderão teoria e experienciarão a prática. Elas analisarão dados reais coletados pelo Large Hadron Collider (LHC), o acelerador de partículas, e discutirão os resultados em videoconferência. E tem mais: exatamente no dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, as estudantes participarão de uma visita virtual ao CERN, na Suíça.

Nathalia Osório é uma das alunas que terá acesso ao maior acelerador de partículas do mundo

 

O começo de um  futuro

A aluna Nathalia Osório está entre as participantes do evento. Atualmente cursa o terceiro ano do Ensino Médio no CAJ e, no futuro, pretende desbravar o mundo em laboratórios. Hoje terceiranista e amanhã pesquisadora. Se depender do professor Rudnei e da Educação Adventista, incentivos não lhe faltam.

Nathalia confessa certa apreensão decorrente de sua vontade em ingressar numa área majoritariamente dominada por homens, entretanto se ergue sobre a esperança de uma geração científica mais igualitária. Para ela, o MasterClass Feminino funcionará como um divisor de águas que lhe agregará experiência, capacitação e confiança. “Estou ansiosa e entusiasmada para absorver o máximo de conhecimento possível”, conta.

O MasterClass Feminino descortina a ciência para Nathalia e todas as demais estudantes. Para as meninas que sonham em ser pesquisadoras, trata-se de um momento ímpar, o começo de um futuro. “É uma chance única pesquisar e analisar dados tão importantes, sendo cientista por um dia”, comemora.

Rudnei também está empolgado. Quem sabe, de sua sala de aula sairá a próxima Marie Curie. O passado da Física foi marcado por uma mulher e, em seu futuro, haverá outras mais. Nathalia estará entre elas.

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